Acabamento com Vapor de Acetona no Itororó

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Estamos na era em que a impressão 3D não só é conhecida amplamente como está cada vez mais acessível, e com a política pública do FAB LAB LIVRE, cada vez mais pessoas se interessam em explorar a cultura maker. Muitas vezes isto envolve realizar inovação com o que se tem ao alcance, o que muitas vezes está intimamente ligado ao ato de solucionar problemas - antigos ou novos - abraçando a idéia de que estas soluções estão ao nosso alcance.

Quem já está por dentro da impressão 3D por FDM (Fusion Deposit Modeling) sabe que a aparição de muitas linhas paralelas em toda a superfície da peça produzida é uma característica quase inescapável. Para alguns, a existência dessas linhas não incomoda; já para outros, as linhas precisam sumir de alguma maneira. Uma delas seria lixar a superfície da peça impressa, porém, os materiais que são mais comumente usados, como o ABS e o PLA, são termoplásticos, ou seja, mudam de forma com a temperatura, logo, o lixamento da peça pode produzir alterações em sua forma pelo mero aumento da temperatura devido ao atrito. Além disso, são plásticos com um grau alto de dureza, o que dificulta esse trabalho.

Mas ainda, existe uma salvação para os impressores que querem se ver livres das linhas: o plástico ABS é solúvel em acetona. É claro que, quanto mais pura a acetona e quanto maior a quantidade dela aplicada, maior será a solubilidade do ABS. De fato, a aplicação direta pode causar tragédias - verdadeiros rombos naquela sua impressão de 17 horas. Então, seguindo o espírito maker e compartilhando do conhecimento coletivo, repetimos aqui no Itororó um experimento bem popular na comunidade online de impressão 3D - o "alisamento" da impressão em ABS através do vapor da acetona. Mas porque o vapor? Ora, a acetona é altamente corrosiva para o ABS. Tanto, que só o seu o vapor atingindo a camada mais exterior  da peça já é o suficiente para que aquelas pequenas linhas da impressão desapareçam.

Desenvolvido nos moldes do técnico do FAB LAB do Centro Cultural da Juventude, Álvaro Pontes, e com outras dicas dadas pelo líder de laboratório do FAB LAB Olido Cibernarium, Ricardo Delgado, o experimento envolveu a copa da Vila Itororó, que conta com um fogão, panelas e mais importante -- um espaço bem arejado. Primeiro, utilizamos adesivo de cianoacrilato (super-bonder) para colar a peça que queríamos alisar na tampa de um pote de sorvete, de modo que ela ficasse de cabeça para baixo ao fechar a tampa no pote. No pote, despejamos meio vidro de Acetona 50%, dessas encontradas em farmácias. Posteriormente, colocamos o pote dentro de uma panela com água, cozinhando em fogo baixo. Esse banho-maria aqueceu o pote, que fez evaporar a solução de acetona (seu ponto de ebulição é em torno de 50ºC). Evaporando, ela subiu em direção à peça. Depois de 20 minutos de exposição da peça ao vapor, removemos a peça do pote. 

O resultado foi uma superfície homogênea e com um aspecto laqueado. Não se identificaram mais linhas -- e sua superfície ficou altamente reflexiva! 

Tudo isto se deveu à solicitação de um usuário do LAB Itororó, Flávio Celestino, que surgiu com essa dúvida e perguntou sobre algum experimento que poderíamos fazer para atenuar as linhas de impressão. Sua intenção com isso era melhorar peças impressas na 3D, aumentando a viabilidade de seu uso comercial. Valeu, Flávio!